O acordo da mineradora Vale para a reparação do crime socioambiental de Brumadinho (MG) recebeu duras críticas em audiência da Comissão Externa da Câmara dos Deputados que acompanhou as negociações da empresa com o governo de Minas Gerais.
Além de representantes do Ministério Público e dos legislativos estadual e municipais, os deputados ouviram nesta quinta-feira (11) representantes dos atingidos pelo rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro, que deixou 270 mortos em 25 de janeiro de 2019 e causou sérios danos ambientais e econômicos ao longo da bacia do rio Paraopeba.
O acordo foi assinado em 4 de fevereiro e prevê R$ 37,6 bilhões da Vale para reparações ou compensações socioeconômicas e socioambientais. No dia 10, a Associação Nacional dos Atingidos por Barragens (Anab), o PT e o Psol entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da homologação do acordo, sob o argumento de que os atingidos não foram ouvidos no processo.
Fernanda de Oliveira, moradora de Piedade do Paraopeba, distrito de Brumadinho, reforçou o argumento. “Não existe justiça se não existir a participação dos atingidos”, afirmou.
Outra atingida pelo crime socioambiental, Joelísia Feitosa, da cidade de Juatuba, chegou a classificar o acordo de “Black Friday” para a Vale.
Tatiane de Oliveira, do município de Pompéu, também ressaltou que o valor a ser pago pela mineradora ficou bem abaixo dos R$ 55 bilhões pretendidos pelo governo mineiro. “Esse acordo só é benéfico para o governo e, principalmente, para a Vale, que conseguiu, de quebra, economizar bilhões e ainda fazer marketing, mostrando uma imagem que não é realidade”, declarou.
Fonte: Agência Câmara de Notícias - Foto: Ricardo Stuckert

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