Parques nacionais de Aparados da Serra e Serra Geral serão concedidos à iniciativa privada


O Ministério do Meio Ambiente publicou nesta quinta-feira (15) o edital de concessão à iniciativa privada dos parques nacionais de Aparados da Serra e Serra Geral, na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Juntas, as unidades de conservação totalizam uma área de cerca de 30,4 mil hectares (cada hectare corresponde, aproximadamente, às medidas de um campo de futebol oficial), em meio à qual está um conjunto de grandes cânions que atraem um grande número de turistas.

Em nota, a assessoria da pasta informou que companhias e entidades brasileiras e estrangeiras poderão participar do processo de escolha do futuro concessionário autorizado a explorar, individualmente ou em consórcio, os serviços turísticos no interior das duas unidades de conservação ambiental.

A empresa ou grupo escolhido assumirá a gestão dos parques por 30 anos. Durante este período, deverá “revitalizar e modernizar a estrutura dos parques e gerenciar e fortalecer a conservação” das unidades, respeitando as normas ambientais específicas.

Segundo o ministério, a iniciativa faz parte de um projeto de concessões mais amplo que visa a “fortalecer a proteção ambiental por meio da promoção do ecoturismo e do desenvolvimento econômico das comunidades do entorno”.

Fonte: Agência Brasil - Foto: Roberto Castro/MTur

Portugal: Ambientalista contrário a novas barragens coordena projeto Rios Livres

RICARDO PRÓSPERO*

Todos os anos, são investidos milhões de euros para repor areais, restaurar praias e dunas, bem como construir paredões e outras estruturas pesadas para proteger localidades que já se encontram ameaçadas pelo avanço do mar. No entanto, cimentar a nossa costa com estruturas em betão como resposta à perda de praias não é solução para o verdadeiro problema que existe a montante: a construção desmedida de barragens.

Existem mais de 8 000 barragens e açudes nos rios portugueses e, segundo um estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), elaborado no âmbito da Rede Douro Vivo, coordenada pelo GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território, mais de 1 200 encontram-se na bacia do Douro. Muitas destas barreiras, não só estão obsoletas, como estimativas da UTAD apontam para que cerca de 25% das existentes na região do Douro estejam abandonadas. 

É certo que a erosão costeira está relacionada com a subida do nível médio do mar, mas, em grande parte, é também causada pelas inúmeras interrupções no curso natural dos rios, que impedem o transporte de sedimentos até à foz. Mesmo construídas a centenas de quilómetros de distância das praias, as barreiras têm um impacto muito grande no que diz respeito à sua preservação.

Na região do Douro o impacto é direto, com um decréscimo de cerca de 85% dos sedimentos que, naturalmente, iriam afluir à orla costeira. Se tomarmos como exemplo as praias do Furadouro e de Espinho, vemos que há um problema muito significativo de erosão da orla costeira, que pode a prazo levar ao seu desaparecimento. Isto porque a existência de um elevado número de barragens contribuiu para que milhões de toneladas de areia não chegassem à costa ao longo dos anos.

Isto leva-nos a concluir que, em Portugal, existe um grande desconhecimento, não só da sociedade civil, mas também do Estado, acerca dos nossos rios. Nomeadamente, sobre o impacto cumulativo da existência de tantas barragens e dos impactos ambientais que daí decorrem, o que, a longo prazo, não permite garantir uma gestão adequada dos recursos hídricos, nem a sustentabilidade económica, social e ambiental dos empreendimentos. E, quando falamos em impacto ambiental, não falamos apenas do desaparecimento das praias, mas também na descontinuidade dos ecossistemas ribeirinhos, na perda da biodiversidade e da integridade dos habitats, sendo que as barragens são responsáveis por ameaçar de forma direta ou indireta várias espécies nativas, algumas ameaçadas, como a águia-real, o lobo-ibérico, a lampreia ou a enguia.

Neste sentido, é urgente o restauro fluvial dos cursos de água degradados e a suspensão da construção de mais barragens sem utilidade comprovada. É urgente alertar os portugueses para a necessidade de ajudarem a evitar que as praias, onde vão habitualmente com as suas famílias e que são um bem natural único e acessível a todos, desapareçam, dando espaço à construção de empreendimentos exclusivos ou estruturas artificiais de proteção da costa. Como é que as pessoas se sentiriam se perdessem a praia onde mais gostam de ir?

Para combater estes problemas, é fundamental definir um conjunto de medidas. Estas passarão, no plano energético, pela promoção da eficiência energética e de fontes de energia renováveis alternativas, como a fotovoltaica, e, para a produção alimentar, de modos de produção agrícola menos intensivos em água e de sistemas alternativos de armazenamento e utilização de água, como a retenção de água nos solos, a criação de charcos e a utilização de águas residuais tratadas, ao invés da construção de mais barreiras.

Já ao nível da preservação dos habitats e da biodiversidade, seria necessário proceder ao restauro dos ecossistemas ribeirinhos, através da remoção sistemática de barreiras obsoletas, da definição e garantia de caudais ecológicos e, for fim, através da criação de um estatuto de proteção permanente de rios e troços de rios livres, garantindo as funções ecológicas que desempenham.

Neste sentido, estamos neste momento a recolher assinaturas para submissão de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos ‘Rios Livres’ na página da Assembleia da República, que irá complementar a legislação de ambiente existente.

Tanto o Estado como a sociedade civil têm, assim, um papel fundamental na consciencialização relativamente ao tema das barragens e quais os impactos associados. É por isso que apelamos a que os portugueses participem ativamente na proteção dos rios e das praias portuguesas, intervindo com a assinatura por uma nova lei e impedindo a criação de “novas paisagens” indesejáveis.

Ricardo Próspero é coordenador técnico e científico do Projeto Rios Livres; coordenador no GEOTA


Decretada emergência em 73 municípios baianos atingidos por incêndios florestais


Decreto que classifica Situação de Emergência em 73 municípios atingidos pelos incêndios florestais foi publicado, neste sábado (10), no Diário Oficial do Estado da Bahia. Os municípios estão situados na Bacia do Paramirim, Bacia do Rio Corrente, Bacia do Rio Grande, Chapada Diamantina e Velho Chico. O decreto tem vigência de 90 dias.

Dos 73 municípios com situação de emergência decretada pela Superintendência de Defesa Civil da Bahia, 30 já foram atingidos pelo fogo. O decreto suspende nessas áreas quaisquer atividades capazes de produzir risco potencial de geração de novos focos de incêndio e visa também amenizar os impactos negativos na saúde da população, no meio ambiente e na economia local.

Em visita a Itaberaba, na região da Chapada, o governador Rui Costa disse, nesta sexta (dia 9), que Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Polícia Militar estão trabalhando nas áreas atingidas, utilizando aeronaves, inclusive avião de combate a incêndio. 

Bombeiros florestais e brigadistas voluntários trabalharam com o suporte do Programa Bahia Sem Fogo, que inclui aviões do tipo Air Tractor. Eles conseguiram controlar o fogo nos municípios de Barra e Barreiras, na região Oeste do Estado. São utilizados cinco aviões para lançamento de água e um helicóptero do Grupamento Aéreo da Polícia Militar da Bahia (Graer). Mais bombeiros especialistas já foram convocados e vão somar aos que já estão no combate, totalizando 30 militares. Ainda atuam na Chapada os esquadrões do ICMBio, PrevFogo, diversos brigadistas e técnicos do Inema.

Municípios em Situação de Emergência: Abaíra, Andaraí, Angical, Baianópolis, Barra, Barra da Estiva, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Boninal, Bonito, Boquira, Botuporã, Brejolândia, Brotas de Macaúbas,  Buritirama, Canápolis, Carinhanha, Catolândia, Caturama, Cocos, Coribe, Correntina, Cotegipe, Cristópolis, Érico Cardoso, Feira da Mata, Formosa do Rio Preto, Ibicoara, Ibipitanga, Ibitiara, Ibotirama, Igaporã, Iramaia, Iraquara, Itaetê, Jaborandi, Jussiape, Lençóis, Luís Eduardo Magalhães,  Macaúbas, Malhada, Mansidão, Marcionílio Souza, Matina, Morpará, Morro do Chapéu, Mucugê,  Muquém de São Francisco, Nova Redenção, Novo Horizonte, Oliveira dos Brejinhos, Palmeiras, Paramirim, Paratinga, Piatã, Riachão das Neves, Riacho de Santana, Rio de Contas, Rio do Pires, Santa Maria da Vitória, Santa Rita de Cássia, Santana, São Desidério, São Félix do Coribe, Seabra, Serra do Ramalho, Serra Dourada, Sítio do Mato, Souto Soares, Tabocas do Brejo Velho, Utinga, Wagner e Wanderley.

Fonte e Foto: Governo da Bahia

Príncipe William lança prêmio global por ideias criativas em defesa do meio ambiente

O príncipe William lançou novo e ambicioso projeto de cunho ambiental. Com apoio de personalidades como o jogador de futebol Dani Alves, a cantora Shakira e a atriz Cate Blanchett, o integrante da realeza tira do papel o Prêmio Earthshot, de incentivo às ações inovadoras em prol da natureza em todo o planeta.

De acordo com o anúncio, feito nesta quinta-feira (8), Dani Alves e Shakira são alguns dos que farão parte do conselho consultivo da premiação. Cerca de US$ 1,3 milhão será concedido, anualmente, aos “heróis do meio ambiente”, ou seja, pessoas e ONGs que trabalhem pela preservação do planeta. Com metas estabelecidas para 10 anos, o Prêmio Earthshot oferece a maior recompensa da história para ações ambientais.

“Seus filhos, meus filhos, eles têm que encontrar maneiras de reduzir as emissões de carbono, de limpar nossos oceanos e o ar. Portanto, precisamos que as mentes jovens tenham acesso à informação, e é por isso que a educação é tão importante. Porém, não podemos simplesmente ficar parados. Temos que mostrar o caminho e fazer isso agora”, afirmou Shakira, ao anunciar sua participação no projeto.

Foto: Denis/Unsplash

Setembro registra as maiores temperaturas para o mês; 2020 pode ser o mais quente da história


O mês passado foi o setembro mais quente já registrado no mundo, anunciou nesta quarta-feira (7) o serviço sobre mudanças climáticas do programa europeu Copernicus. Dados até aqui apurados mostram que 2020 pode ser o ano mais quente da história, superando 2016.

O período de 12 meses entre outubro de 2019 e setembro de 2020 fica 1,28°C acima da média das temperaturas da era pré-industrial.

Levando em consideração que os últimos cinco anos foram os mais quentes da história, o dado aproxima o planeta do limite de 1,5°C, a meta do Acordo de Paris.

O pacto, assinado em 2015 e em que quase 200 Estados se comprometeram a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa, pretende manter o aquecimento global abaixo de 1,5ºC, no máximo 2°C, para limitar o impacto das tempestades, secas e outros fenômenos extremos cada vez mais devastadores.

A temperatura do planeta já aumentou mais de 1°C e avança em média 0,2°C por década desde o fim dos anos 1970, destaca o programa Copernicus em seu balanço climático mensal.

E 2020 não vai mudar a tendência, pois também registra os meses de janeiro, maio e junho mais quentes da história.

"A nível mundial, setembro de 2020 ficou 0,05°C acima de setembro de 2019, o mês mais quente registrado até agora", indica o serviço europeu. Isto significa 0,63°C acima da média do período 1981-2020.

As temperaturas foram especialmente elevadas na Sibéria, seguindo a tendência de uma onda de calor que começou na primavera (hemisfério norte) e que favoreceu uma série de grandes incêndios.

Fonte: Copernicus (Programa de Observação da Terra da União Europeia) Foto: Fábio Pozzebom/ABr


Salvador: Reparo em tubulação regulariza o nível de água na Lagoa de Alphaville


Equipes técnicas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo de Salvador (Sedur) e  Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) realizaram vistoria conjunta, nesta quinta-feira (01), para monitorar a Lagoa de Alphaville, que registrou acentuada redução no nível de água e mudança na coloração.

A perda de água da lagoa foi motivada por rompimento de uma tubulação existente no local. A ruptura fez com que a água fosse drenada para a Lagoa do Vale Encantado. O reparo necessário foi realizado e o nível de água já voltou a subir.

“Estamos acompanhando de perto a situação. Vistoriamos as obras no entorno e não constatamos nenhuma irregularidade. Então, acionamos o Inema, responsável pelos recursos hídricos, e juntos foi possível ter um alinhamento técnico para as ações coordenadas entre as pastas”, afirmou o diretor de fiscalização da Sedur, Átila Brandão Júnior. A Lagoa de Alphaville fica nas imediações da Avenida Paralela, na capital baiana.


STF valida lei que proíbe testes em animais pela indústria de cosméticos

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou constitucional dispositivos da lei do Estado do Rio de Janeiro que proíbem a utilização de animais p...