Pesquisa estima a elevada subnotificação dos casos de Covid-19 no Brasil

Para cada caso de Covid-19 oficialmente registrado  existem sete não notificados, nos principais centros urbanos brasileiros, de acordo com levantamento sobre a pandemia do novo coronavírus feito em 90 municípios brasileiros. É o que revela a primeira fase do estudo Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional, coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com o Ministério da Saúde.

Para os pesquisadores, a comparação entre os números estimados pelo estudo e os índices oficiais aponta para grande subnotificação do número de infectados.  A pesquisa testou a existência de anticorpos da doença, o que significa identificar se as pessoas foram ou estão infectadas, estando ainda sem manifestação da Covid-19

As estatísticas oficiais até agora registram exclusivamente os resultados de exames feitos em pessoas que apresentaram os sintomas. Por isso, os pesquisadores encontraram índices tão distantes dos que foram até agora apresentados pelo Ministério da Saúde. No dia 13 de maio, véspera do início da pesquisa, essas 90 cidades somadas contabilizavam oficialmente 104.782 casos confirmados e 7.640 mortes. A estimativa do levantamento, realizado entre 14 e 21 de maio, mostra que 760 mil pessoas estariam infectadas pelo novo coronavírus nessas cidades. 

Nesta primeira fase, foram testadas e entrevistadas 25 mil pessoas pelo país nas 133 cidades selecionadas, chamadas sentinelas. Elas são os maiores municípios das subdivisões demográficas intermediárias do país, de acordo com critérios do Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados analisados nesta etapa abrangem 90 cidades, incluindo 21 das 27 capitais, em que foi possível testar pelo menos 200 pessoas em cada uma delas – que é uma amostra considerada representativa.

Os pesquisadores alertam que esses resultados não devem ser extrapolados para todo o país, nem usados para estimar o número absoluto de casos no Brasil, já que essas são cidades populosas, com circulação intensa de pessoas e que concentram serviços de saúde. A dinâmica da pandemia pode ser distinta se observadas cidades pequenas ou áreas rurais. Apesar dessa ressalva, o coordenador geral do estudo e reitor da UFPel, Pedro Hallal, avalia que “o mais importante é saber que a contagem de casos de infecção por coronavírus no Brasil agora deve ser feita em milhões, e não mais em milhares”.

Entre as 21 capitais analisadas, Belém (PA) e Manaus (AM), ambas na região norte, foram as únicas que apresentaram resultado superior a 10% da população com anticorpos da doença. “Essas diferenças demonstram que existem várias epidemias num único país. Algumas cidades apresentam resultados altos, comparáveis aos de Nova Iorque (Estados Unidos) e da Espanha; outras apresentam resultados baixos, comparáveis a países da América Latina”, disse Pedro Hallal.

Para São Paulo, o município mais populoso do país com 12,2 milhões de habitantes, os resultados da primeira fase do estudo mostram uma proporção de 3,1% das pessoas com anticorpos para o novo coronavírus, ou seja, estima-se que 380 mil moradores da capital paulista já tenham se infectado ou ainda estejam infectados.  As novas datas para segunda etapa são 4, 5 e 6 de junho, e para a terceira, 18, 19 e 20 de junho. O calendário prevê um intervalo de 14 dias entre cada levantamento.

Fonte: Agência Brasil - Ilustração: Nações Unidas

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