O clássico dos dilemas que coloca desenvolvimento econômico de um lado; conservação ambiental, do outro, está de volta e alimenta animada controvérsia em Ilhéus, região cacaueira ao Sul do estado. Desde que a Bahia Mineração S.A. (Bamin) arrematou em leilão a concessão de um trecho de 537 quilômetros da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), localizado entre Ilhéus e Caetité (BA), não se fala em outra coisa na cidade.
No leilão, há uma semana, a companhia ofereceu o valor mínimo exigido pelo edital de concessão, que era de R$ 32,7 milhões. Ela promete investimentos superiores a R$ 3 bilhões. Cerca de 75% das obras da ferrovia estão concluídas e os outros 25% serão bancados pela Bamin. A concessão tem prazo de 35 anos com a expectativa para criação de 55 mil novos empregos diretos e indiretos.
Proprietária da mina Pedra de Ferro e responsável pelo projeto de terminal portuário em Ilhéus - o Porto Sul, a Bamin planeja operar a ferrovia a partir de 2025. A meta é transportar mais de 18 milhões de toneladas de carga, entre grãos e, principalmente, o minério de ferro produzido na região de Caetité, para desembocar no Porto Sul, terminal offshore a 3 km da costa.
Contudo, ambientalistas temem os impactos ambientais decorrentes das intervenções como a derrubada de remanescentes da Mata Atlântica, redução da biodiversidade, erosão da costa e poluição do ambiente marinho. Os bairros de São Miguel e São Domingos, na zona norte de Ilhéus, já enfrentam graves danos causados pelo avanço da maré. A erosão torna-se ainda mais iminente como reflexo da construção de um porto em alto mar.
A legislação em vigor estabelece avaliação de impacto ambiental, a fim de garantir equilíbrio entre a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento econômico. É possível conciliar os dois lados dessa questão? O que você acha?
Fotos: Fábio Coppola e Elói Corrêa


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